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| - Dentro em pouco, as cinco mulheres e os três rapazes formavam um só grupo. A velha, a que gracejara com Alfredo, tomou o peixe e escamou-o em dois tempos, com grande admiração do pequeno que nunca a supusera capaz de fazer aquilo tão depressa. Depois, a lavadeira acendeu fogo, arranjou um espeto, e enfiou o peixe, temperado com um pouco de sal, levando-o às brasas. - Maria! - exclamou ela a uma rapariga, que, pela idade e pelas feições, parecia ser sua filha - vai molhando essa roupa! E, voltando-se para Carlos, perguntou: - Aquelas roupinhas estendidas ali são de vocês? - São. - Estão corando?
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| - Dentro em pouco, as cinco mulheres e os três rapazes formavam um só grupo. A velha, a que gracejara com Alfredo, tomou o peixe e escamou-o em dois tempos, com grande admiração do pequeno que nunca a supusera capaz de fazer aquilo tão depressa. Depois, a lavadeira acendeu fogo, arranjou um espeto, e enfiou o peixe, temperado com um pouco de sal, levando-o às brasas. - Maria! - exclamou ela a uma rapariga, que, pela idade e pelas feições, parecia ser sua filha - vai molhando essa roupa! E, voltando-se para Carlos, perguntou: - Aquelas roupinhas estendidas ali são de vocês? - São. - Estão corando? - Creio que sim, - respondeu ele, com um ar de quem não entendia muito daquilo. - Pois, vou mandar enxugá-las... E, depois de alguns momentos: - Vocês de onde são, e que estão fazendo aqui? Carlos não achou conveniente estar contando sua história a toda gente; e fazendo um sinal a Alfredo, para lhe indicar que não falasse, deu tempo a Juvêncio, que respondeu: - Somos de Petrolina, e vamos até Vila Nova, e talvez mesmo até a Bahia; estes meninos têm família na Bahia, uns parentes do pai, e querem ver se conseguem entrar em um colégio; e eu quero ver se arranjo um emprego. Assado o peixe, a velha entregou-o a Carlos que o não queria aceitar. Ela, porém, insistiu: - Aceite! Nós todas já almoçamos bem. Ah! Mas vocês não têm farinha... Oh! Maria! - gritou, voltando-se para a filha. - Vai à casa buscar um pouco de farinha. - Não, não é preciso! - acudiram os três rapazes. - Vai, já te disse! É ali! - continuou, apontando uma casa que se via bem distinta, na encosta, defronte do ponto em que estavam. Partiu a rapariga, e, dez minutos depois, estava de volta, com uma cuia de farinha. Mas, ao mesmo tempo que ela descia, por um lado, descia, pelo outro, o dono da venda, que, mal chegou à distância de ser ouvido, gritou: - Olá! Rapaz! Que estás fazendo aí! - perguntou o vendeiro ao Juvêncio. - Lavando umas roupas, e apanhando umas piabanhas, enquanto as roupas coram ao sol... - Mas os teus companheiros não podem fazer isso sem o teu auxílio? - Podem... Porque pergunta? - Porque preciso de alguém que me leve já uma carta aqui adiante, ao arraial do Riachinho, no caminho de Vila Nova, e bem me podias prestar esse serviço, ganhando alguma coisa. - A carta tem resposta? - Não. Juvêncio piscou um olho para Carlos, e respondeu ao vendeiro: - Não há dúvida. Prepare a sua carta, que irei levá-la agora mesmo. E fique descansando que não há de queixar-se do portador! Assim que o homem se afastou, o rapaz disse aos companheiros: - Um negócio magnífico, hem? - Por quê? - interrogou Carlos. - Por que teremos de passar inevitavelmente por esse arraial, e, assim, aproveito a ocasião para ganhar algum dinheiro. - Mas - objetou Carlos - o homem diz que a carta deve seguir já, e nós não podemos partir daqui sem que as nossas roupas tenham secado... - Isso é o menos. Vosmecês ficam aqui. Eu sigo hoje, e dou conta do meu recado. Amanhã, quando tudo estiver pronto, vosmecês partem bem cedo, vão seguindo sempre o mesmo caminho direito, e encontram-se comigo em Riachinho. - E com que roupa vai você? - Vou com esta camisa velha, com esta calça molhada, que há de secar com o sol, e com o paletó de Carlos. Vosmecês levam o resto da minha roupa. - Bem! Mas como havemos nós de achá-lo lá no arraial? - Ora! Um arraial não é uma cidade; não é o Recife, nem o Rio de Janeiro... Olhe: deve haver lá uma igreja, uma capela... - Há, sim, - acudiu a velha, que o escutara. - Muito bem! Amanhã, do meio dia para a tarde, ficarei à porta da igreja à espera de vosmecês. - Eles só não irão, - interveio rindo a velha, - se eu os prender lá em casa; - e apontou para a casinha. - E estou com muita vontade de fazer isto: quero guardar este vadio - e levou a mão aos cabelos de Alfredo - para o casar com uma velha que me criou... Apareceu de novo o vendeiro, e entregou a carta ao Juvêncio. Os rapazes abraçaram-se, e Juvêncio, ao ver os outros comovidos, disse gracejando: - Que é isto? A separação é tão curta! Eu não vou para um país estrangeiro... Juvêncio ainda cumprimentou com a cabeça as mulheres, apertou a mão às duas que estavam no grupo, mãe e filha, e partiu.
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